Crônicas de Renato Rossi

Maria Sem Vergonha

novembro 8, 2009 · Deixe um comentário

Nas lides dominicais no jardim, leia-se catar bosta, sempre arranco uma ou outra erva daninha a bem do visual do terreno. Não me parece muito justo, mas é o que se espera de qualquer um que se dedique a este afazer dominical na linha do “faça você mesmo” ou “os jardineiros estão pela hora da morte”.

Não, as costas não doem.  Só um pouco, mas é algo que já na quarta feira está resolvido..

Contornado o problema ético em relação às chamadas ervas daninhas, o que de per si já constitui preconceito intolerável nestes tempos modernos, surgiu hoje algo que não pude resolver só. Achei melhor dividir com vocês e colher opiniões. Enquanto isto, declarei moratória na poda das chamadas ervas daninhas do modesto gramado de que desfruto na casa em que moro.

Acontece que entre uma erva e outra quase arranco um pé de Maria Sem Vergonha. Não, não me refiro às plantas crescidas que foram plantadas nos canteiros, terreno próprio para o seu florescimento. A Maria Sem Vergonha a que me refiro, nasceu em uma pequena, minúscula mesmo, falha no rejunte das pedras que servem de caminho ao automóvel.

Maria Sem Vergonha, todos sabem, é uma destas flores que, como se diz de certas mulheres, dá em qualquer lugar. Como no caso das moças, sua generosidade em oferecer suas flores coloridas acaba por dar-lhe má fama, o que, sinceramente pessoal, é uma grande injustiça, com umas e outras. Colorida, simpática, sorridente mesmo, a Maria Sem Vergonha não escolhe lugar para mostrar sua beleza, está sempre disposta.

 

Pois bem, o dilema sobre as ervas daninhas, que já me ocupava a mente, agora divide atenção com este novo problema ético estético agronômico. Que fazer?

Pior, ao levantar os olhos, abismado com a presença inesperada da Maria Sem Vergonha, olho em volta e vejo pelo menos mais três ocorrências do generoso fenômeno. Não se trata portanto de um caso isolado a que possa relevar ou fazer de conta que nem se notou. Ou algo que possa ser tolerado simplesmente pela peculiaridade. A permanência ou não das Marias Sem Vergonha deve ser ponderada. De um lado a liberdade e a beleza, que pode ser interpretada como desleixo. De outro a ordem e a organização, que pode ser interpretada como chatice e falta de liberdade. E, naturalmente, persiste a questão das ervas daninhas. Serão realmente daninhas e serão as marias mesmo sem vergonha?

Escreva, opine, sua opinião é muito importante. Por enquanto as Marias ficam, e também ficam as ervas.

Categorias: Besteiras ma non troppo · Crônicas
Etiquetado: , , , ,

0 respostas Até agora ↓

  • Ainda não há comentários... chute o balde preenchendo o formulário abaixo.

Deixe um comentário